na mão dele,
- Esta lâmina estava destinada a abrir a garganta de
Bran e derramar seu sangue. A cabeça de Ned
ergueu-se abruptamente.
- Mas... quem... por que faria...
Ela pousou um dedo em seus lábios.
- Deixe-me contar tudo, meu amor. Será mais rápido
assim. Escute.
E ele escutou-a contar-lhe tudo, do incêndio na torre
da biblioteca a Varys, aos guardas e ao Mindinho. E
quando terminou, Eddard Stark sentou-se atordoado
junto da mesa, com o punhal na mão. O lobo de Bran
salvara a vida do rapaz, pensou sombriamente. Que
tinha Jon dito quando encontraram os cachorros na
neve? Seus filhos estão destinados a ficar com esta ninhada,
senhor. E ele matara a loba de Sansa, por quê? Seria
culpa o que sentia? Ou medo? Se os deuses tinham
enviado aqueles lobos, que loucura ele tinha feito?
Dolorosamente, Ned forçou os pensamentos a
regressar ao punhal e àquilo que significava.
- O punhal do Duende - repetiu. Não fazia sentido.
Sua mão dobrou-se em torno do suave cabo de osso
de dragão, e ele bateu com a lâmina na mesa,
sentindo-a morder a madeira. Estava ali zombando
dele. - Por que ia querer Tyrion Lannister ver Bran
morto? O rapaz nunca lhe fez nenhum mal.
- Será que os Stark não têm mais que neve entre as
orelhas? - perguntou Mindinho. - O Duende nunca
teria agido sozinho.
Ned ergueu-se e pôs-se a percorrer o quarto de ponta
a ponta.
- Se a rainha teve um papel nisto ou, que os deuses
não o permitam, o próprio rei... não, não acreditarei
nisso - mas, mesmo enquanto dizia as palavras,
recordou-se daquela manhã gelada nas terras
acidentadas, e da conversa de Robert a respeito de
enviar assassinos contratados no encalço da princesa
Targaryen. Lembrou-se do filho pequeno de
Rhaegar, da ruína vermelha de seu crânio e do modo
como o rei lhe virara as costas, tal como fizera na
sala de audiências de Darry não há muito tempo.
Ainda ouvia Sansa suplicando, como Lyanna
suplicara tempos atrás.
- O mais certo é que o rei não soubesse - disse
Mindinho. - Não seria a primeira vez. Nosso bom
Robert tem como prática fechar os olhos a coisas que
prefere não ver.
Ned não tinha resposta para aquilo. O rosto do filho
do carniceiro passou na frente dos olhos, quase
rachado em dois, e depois o rei não dissera uma
palavra. Sua cabeça latejava. Mindinho caminhou
vagarosamente até a mesa e arrancou a faca da
madeira.
- Seja como for, a acusação constitui traição. Acuse
o rei e dançará com Ilyn Payne antes de as palavras
acabarem de sair de sua boca. A rainha... se forem
apresentadas provas e se for possível fazer com que
Robert escute, então, talvez...
- Temos provas - disse Ned, - Temos o punhal.
- Isto? -Mindinho atirou o punhal ao ar como se
nada fosse. - Um belo bocado de aço, mas corta para
dois lados, senhor. O Duende sem dúvida jurará que
a lâmina foi perdida ou roubada enquanto
permaneceram em Winterfell e, com o seu assassino
morto, não haverá ninguém para desmenti-lo - atirou
a faca com ligeireza a Ned. - Meu conselho é deixar
isto cair no rio e esquecer que chegou a ser forjada.
Ned o olhou com frieza.
- Senhor Baelish, sou um Stark de Winterfell. Meu
filho jaz aleijado, talvez à morte. Estaria morto, e
Catelyn também, não fosse uma cria de lobo que
encontramos na neve. Se realmente acredita que
posso esquecê-lo, é um tolo tão grande hoje como
quando empunhou uma espada contra meu irmão.
- Talvez seja um tolo, Stark... e, no entanto, ainda
aqui estou, ao passo que seu irmão se desfaz em pó
na sua sepultura gelada já há catorze anos. Se está
assim tão ansioso para apodrecer ao seu lado, longe
de mim dissuadi-lo, mas preferiria não ser incluído
na festa, muito obrigado.
- Você seria o último homem que eu incluiria
voluntariamente em qualquer festa, Lorde Baelish.
- Fere-me profundamente - Mindinho pousou a mão
no coração. - Por minha parte, sempre os considerei,
aos Stark, gente cansativa, mas Cat parece ter se
afeiçoado a você, por motivos que não sou capaz de
entender. Tentarei mantê-lo vivo para o bem dela.
Uma tarefa de tolo, admito, mas nunca fui capaz de
recusar o que quer que fosse à sua esposa.
- Contei a Petyr nossas suspeitas sobre a da morte de
Jon Arryn - disse Catelyn. - Ele prometeu ajudá-lo a
descobrir a verdade.
Não era uma notícia que agradasse a Eddard Stark,
mas era bem verdade que necessitavam de ajuda, e
há muito tempo Mindinho fora quase como um irmão
para Cat. Não seria a primeira vez que Ned era
forçado a fazer causa comum com um homem que
desprezava.
- Muito bem - disse, enfiando o punhal no cinto. -
Você falou de Varys. O eunuco sabe de tudo isto?
- Não dos meus lábios - disse Catelyn, - Você não se
casou com uma tonta, Eddard Stark, Mas Varys tem
maneiras de descobrir coisas que nenhum outro
homem poderia conhecer. Ele possui alguma arte
negra, Ned, sou capaz de jurar.
- Ele tem espiões, isto é bem conhecido - disse Ned,
desvalorizando o assunto,
- É mais que isso - insistiu Catelyn. - Sor Rodrik
falou com Sor Aron Santagar em completo segredo, e
de algum modo a Aranha ficou sabendo da conversa.
Aquele 